sexta-feira, 5 de julho de 2013

Queria só...ser Jornalista :(

Eu sonhava alto. Queria ser uma daquelas jornalistas que ficam até tarde na redacção  com um monte de cigarro na boca, xícaras de café na mão e furos jornalísticos memoráveis. Cada vez que o professor no curso de jornalismo contava da sua experiência, eu sonhava mais. E quando eu lia livros, então? Rota 66, Os Mídias em Angola e outros, foram  livros que me fizeram voar longe.

O tempo foi passando e o sonho foi perdendo força, graças aos constantes problemas envolvendo a profissão, que, nas décadas de 60, 70, 80 e 90, ainda era considerada o Quarto Poder. O jornalista era temido, paparicado e tinha nas mãos o futuro de uma celebridade ou político, por exemplo.

Mas parece que tanto glamour limou o profissional jornalista. Acho que com o tempo, a ética jornalística começou a se tornar dúbia. Até aonde um repórter ia/vai para conseguir um furo? O que ele era/é capaz de fazer?

Eu entrei orgulhosa neste mundo e acho que vou sair descontente. Estes anos fui aprendendo que o jornalista ainda é importante, mas perdeu seu espaço, graças a tantos escândalos.

E eu, como vou ficar? O que fazer, já que tem mais jornalista formado do que jornal para trabalhar? Ups! Colei

Passei pelo CEFOJOR, onde "estudei" jornalismo, e depois andei trabalhando por aí. Na verdade, nunca tive o sonho de ganhar um prémio por um furo... eu queria só ser jornalista. E dizem que sou, mas não me considero uma profissional como aquelas que usam o talento investigativo e o feeling comunicativo para benefício dos seus leitores.

No próximo dia 7 de Abril (dia do jornalista), desejo a todos, e a mim, um dia especial. Um dia para que reconheçamos que ainda somos importantes, principalmente na Afrika, onde a informação carece de verdade. Somos o elo entre o mais humilde e o mais forte, que vez ou outra burla as reais definições. Somos o significado da verdade e precisamos honrar isso.

Mesmo que nosso talento e sentimento não seja mais necessário, não devemos nos deixar abater. Escrevemos, e passamos tanto tempo nos esforçando e, agora, merecemos ganhar os lucros de tanto esforço. Responsabilidade atrai responsabilidade e sinceridade precisa ser característica irrefutável e inexorável.
...
Feliz dia do Jornalista


quarta-feira, 26 de junho de 2013

A tribute to the great Madiba - Nelson Mandela ... We love you very much!!! Nkosi sikeleli Africa



A  tribute to the great Madiba ... We love you very much




NKOSI SIKELELI MADIBA
Mandela está morrendo não só como deve morrer um grande líder, mas um grande homem, cercado por sua mulher e toda a sua descendência.

Antes mesmo de dar seu suspiro final Mandela já é pranteado em todo o mundo e seu legado entra para a história humana como uma das lutas mais extensas contra o pior dos inimigos que é a noção que o homem desenvolveu que pode ser superior a outro homem.

Neste momento, as agendas oficiais dos principais líderes mundiais estão em suspenso por causa dele. Sua família está em torno dele; sua tribo canta canções em louvor aos seus feitos e nós... nós apenas aguardamos.

Mandela será para sempre lembrado como o homem que depois de passar 27 longos anos numa cadeia, saiu dela com um sorriso conciliador no rosto e união toda uma nação. Mandela pregou a paz quando muitos queriam a guerra e soube o momento certo tanto de agir para unificar seu país; quanto de sair de cena para que novos líderes surgissem.

Nelson Mandela foi um líder rebelde e, posteriormente, presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Seu nome verdadeiro é Rolihlahla Madiba Mandela. Principal representante do movimento antiapartheid, considerado pelo povo um guerreiro em luta pela liberdade, era tido pelo governo sul-africano como um terrorista e passou quase três décadas na cadeia.

De etnia Xhosa, Mandela nasceu num pequeno vilarejo na região do Transkei. Aos sete anos, Mandela tornou-se o primeiro membro da família a frequentar a escola, onde lhe foi dado o nome inglês "Nelson". Seu pai morreu logo depois e Nelson seguiu para uma escola próxima ao palácio do Regente. Seguindo as tradições Xhosa, ele foi iniciado na sociedade aos 16 anos, seguindo para o Instituto Clarkebury, onde estudou cultura ocidental.

Em 1934, Mandela mudou-se para Fort Beaufort, cidade com escolas que recebiam a maior parte da realeza Thembu, e ali se interessou pelo boxe e por corridas. Após se matricular, começou o curso para se tornar bacharel em direito na Universidade de Fort Hare, onde conheceu Oliver Tambo e iniciou uma longa amizade.

Ao final do primeiro ano, Mandela se envolveu com o movimento estudantil, num boicote contra as políticas universitárias, sendo expulso da universidade. Dali foi para Johanesburgo, onde terminou sua graduação na Universidade da África do Sul (UNISA) por correspondência. Continuou seus estudos de direito na Universidade de Witwatersrand.

Como jovem estudante do direito, Mandela se envolveu na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população), mestiços e indianos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano em 1942 e dois anos depois fundou, com Walter Sisulu e Oliver Tambo, entre outros, a Liga Jovem do CNA.

Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos afrikaners (Partido Nacional), que apoiavam a política de segregação racial, Mandela tornou-se mais ativo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo (1955) que divulgou a Carta da Liberdade – documento contendo um programa fundamental para a causa antiapartheid.

Comprometido de início apenas com atos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville, em março de 1960, quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180.

Em 1961, ele se tornou comandante do braço armado do CNA, o chamado Umkhonto we Sizwe ("Lança da Nação", ou MK), fundado por ele e outros militantes. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo e viajou para o Marrocos e Etiópia para treinamento paramilitar.

Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 1964 foi condenado a prisão perpétua por sabotagem (o que Mandela admitiu) e por conspirar para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega).

No decorrer dos 27 anos que ficou preso, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou o lema das campanhas antiapartheid em vários países.

Durante os anos 1970, ele recusou uma revisão da pena e, em 1985, não aceitou a liberdade condicional em troca de não incentivar a luta armada. Mandela continuou na prisão até fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, aos 72 anos, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk.

Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prêmio Nobel da paz em 1993.

Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.

Ele se casou três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn Ntoko Mase, da qual se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Depois se casou com Winnie Madikizela, e com ela ficou 38 anos, divorciando-se em 1996, com as divergências políticas entre o casal vindo a público. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano.

Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Ele recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Elizabeth 2ª., a medalha presidencial da Liberdade, de George W. Bush, o Bharat Ratna (a distinção mais alta da Índia) e a Ordem do Canadá.

Em 2003, Mandela fez alguns pronunciamentos atacando a política externa do presidente norte-americano Bush. Ao mesmo tempo, ele anunciou seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS chamada "46664" - seu número na época em que esteve na prisão.

Em junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou que se retiraria da vida pública. Fez uma exceção, no entanto, por seu compromisso em lutar contra a AIDS.

A eminente partida de Mandela, ou até mesmo a possibilidade de que esta partida já tenha ocorrido, nos enche, todos nós, militantes e ativistas de tristeza e dor, mas ao mesmo tempo nos alegra por termos tido a oportunidade de ver sua luta e sua vitória.

Mandela não morre, mas entra para a história como poucos homens puderam entrar, pela porta da frente, tal como saiu da cadeia e entrou no palácio presidencial da África do Sul para pôr fim ao apartheid

domingo, 6 de janeiro de 2013

“ O calão da nossa banda”


Por: Mwana Afrika

Hodiernamente, verificamos um fenómeno de linguagem especial usado sobretudo por jovens para indicar outras palavras informais da língua, com o objectivo de fazer um segredo, um acto cómico ou criar um grupo com seu próprio dialecto.
A língua portuguesa em Luanda, sofre quase sempre, constantes alterações interessantes, com maior incidência no discurso oral.
Empregada na sua maioria por jovens,” o calão da nossa banda”, observa-se que seu uso cresce até mesmo entre os meios de comunicação de massa.


Apesar do português ser “nossa língua mãe”, acreditamos que há várias formas de se falar português e que muitos mwangolés, ainda estão “wazebelé”, ou melhor, temos dificuldades em nos expressar. Daí que inventam-se termos, que por nós, fica mais fácil.
Não existe mesmo em outra parte do globo. O nosso “calão da banda” faz toda diferença.Tudo a seu tempo. Vai e vem, vai e vem... Temos sempre, termos novos. Cada termo com seu “tempo de reinado”. Ora, usam-se os termos: “VO TI ENTRA” – vou te bater “VO NI AGI” – vou lutar com ele/a“VAMU NI AGUENTA” – vamos tirar/possuir o que é dele“TABATOTA” ou “STA SEBEM” – esta tudo bem“VAGUENTU” –  vai aguentar“TÁ BATE” – esta na moda“MO CIENTE” ou “MO SANGUE” – meu cúmplice“MO WI” ou “MO AVILU” – meu amigo ou companheiro


São múltiplos os termos criados, até chegar nos que “estão a bater” ou melhor, estão na moda, como o kabotxobotxo e o swagger.Muitos de nòs, consideramos este um falar errado, porque não corresponde à gramática portuguesa. Se repararmos bem, na gramática portuguesa, nos deparamos frequentemente com expressões usadas somente no Brasil, ou somente em Portugal. Então, porquê não introduzirmos também algumas palavras usadas somente em Angola?


"Cumué?" "Já foste lá? – ainda"; "Ele é mo mais velho"... Certamente esse tipo de expressões já não nos surpreendem, porque como angolanos, já nos habituamos a ouvir. Mas se pusermos um brasileiro ou um português a ouvir tais expressões, certamente se surpreenderá. Tendo em conta que o nosso português sofre uma forte cadência das nossas línguas nacionais, o Kimbundo e o Kingongo, em primeiro lugar.


O calão do "mwangolé" tem sofrido, ultimamente, uma forte expansão, que tem se verificado não somente no interior do país, mas também em outros países lusófonos. Em Moçambique, o "Kota", o "Bué", ouve-se por toda parte, entrando consequentemente no vocabulário local. O mesmo verificar-se em Portugal, onde tais palavras já foram inclusive, inclusas no novo dicionário da língua portuguesa.


Tais expressões nascem na maior parte dos casos como códigos, como linguagem que pode ser usada entre um grupo de amigos, de modos que os outros não possam perceber. O uso frequente faz com que muitos venham a tomar conhecimento dos tais códigos, fazendo também o uso das mesmas. Muitas vezes, tais códigos trazem inspiração das nossas línguas nacionais, fazendo assim um “mix” entre português e língua nacional.


Com o uso de tais expressões alguns angolanos sentem-se "mais angolanos", o que estimula o frequente crescimento do uso das mesmas. Na verdade, hoje em dia, políticos, artistas e varias entidades, são deparadas a usarem os vários calões, criando assim uma maior aproximação entre eles e a juventude em geral.


O país que de certa forma encontrava-se mais relutante em "aceitar" o calão angolano é certamente Brasil, sendo aquele país muito ligado a própria cultura e as próprias expressões. Mas com a "invasão" do kuduro neste país, a aceitação tornou-se inevitável. O kuduro, é sabido, carrega dentro de si um conteúdo extremamente "mwangolé", uma série de expressões que são usadas somente em Angola, e muitas vezes só nos subúrbios. 

Através da música, o calão tem penetrado no vocabulário brasileiro, ainda que em pequena proporção. As ondas musicais e não só, poderão certamente contribuir para a expansão da "linguagem mwangolé".


A música sempre se revelou como o maior meio de propagação do calão angolano, sobretudo em Angola: país muito ligado ao ritmo e à musica. A linguagem do "ghetto" tornou-se hoje em dia linguagem pública, podendo a mesma ser exprimida em simples palavras mas inclusive em frases inteiras. O "está a correr tudo bem", pode ser traduzido em "tudo tá sair bem", o "gostei daquela coisa" em "aquele mambo me cuiou", etc etc. Deste modo, não se fala somente em palavras angolanas, mas em linguagem angolana, o que implica que já podemos criar um nosso dicionário. 

Dicionário que necessitaria de ser frequentemente actualizado, porque as expressões vêm e vão, assim como algo pode entrar e sair da moda.
Tendo em conta o facto de que nenhuma língua exista isoladamente, isto é, independentemente dos factores que a rodeiam, a cultura, a politica, os hábitos e costumes, etc., o português angolano não constitui excepção. Todos estes factores influenciam na propagação da nova linguagem angolana.


O calão representa um factor muito importante para a identificação de uma sociedade, assim como acontece com muito outros países que falam a mesma língua. Um exemplo básico é o inglês. O inglês americano apresenta grandes laços de diferenciação ao inglês da Inglaterra, sobretudo no discurso oral. 

Nos Estados Unidos usa-se frequentemente o calão e a gíria, que provocam uma grande distinção na linguagem dos dois países. Pela audição, pode-se notar se o sujeito é americano ou inglês. O mesmo acontece com o calão angolano. O calão e a gíria podem caracterizar uma sociedade, tornando-se assim num meio de identificação de uma comunidade.


Será que com o “nosso calão da banda” já pode ser considerado de “fenómeno de imposição cultural”? Eis a questão.Com a globalização, um novo entendimento de aculturação vem se tornando um dos aspectos fundamentais na sociedade. Mas felizmente, quanto a “cultura do linguajar mwangolé”, parece que não nos vamos deixar aculturar, pelo contrário: parece que vamos aculturando os outros povos de expressão portuguesa. “Stamus mbora bem”. A verdade é que, se é correcto ou não... É “mbora nossa linguagem”. Muito nossa, com mais cultura, mas identidade...Mas nós e mais Angola!!!


In: Jornal Cultura / Maio de 2012


Kudilonga - Aprenda kikongo



Ups!
É sério. Sou mesmo afrikana de raíz. Amo minhas raízes e acho que nossas línguas afrikanas são uma maravilha né.
Hoje começa a primeira aula de Kikongo. Rsrsr, também sou uma aprendiz, mas o pouco que sei vou aqui ensinando. 
Meus contos, são contos da minha tradição oral, e sendo da tradição oral, muitas das vezes mantem os termos na minha língua de origem que é o Kikongo. Daí que surgiu a necessidade de cá, ensinar também esta língua.

. . . . . . . . 



KIKONGO


  • Na língua Kikongo no alfabeto temos:

a, b, d, e, f, i, k, l, m, n, ng, o, p, s, t, u, v, w, y, z



  • Não temos no kikongo:

c, h, j, q, r, x 



  • Substituimos:

j=z 

x=s
r=l


  • Soam: s soa sempre ç ou ss (ex.: disu) ; e o g nunca tem valor de j (ex.: nkonge). NB.: Nkonge e não nkongue



  • As palavras que começam com "m" ou "n", algumas têm apóstrofe e outras nem por isso. As que têm apóstrofe servem de acento da primeira sílaba. (Ex.: m^banza). As que não têm apóstrofe nasalam levemente (Ex.: mbanza).

  • A divisão de sílabas não segue as regras do português (ex.: lu-mbu, mu-ntu).

  • Todas a palavras em kikongo terminam com vogais.

  • O l  da primeira sílaba do verbo transforma-se em nd como substantivo (ex.:longa-ndonga)

  • Na adaptação de palavras estrangeiras deve tomar-se em conta que, o Kikongo não tem consoantes seguidas (cr, cl, pl, stc). Por conseguinte intercala-se uma vogal entre as consoantes (Cristo-Kilisitu; cruz-kuluzu; presidente-pelezidente; litro-litulu).